Nem todo personagem nasce para obedecer às regras. Alguns surgem justamente para provar que só é possível quebrá-las quando se conhece profundamente a linguagem.
Deadpool é um desses casos.
Quando Deadpool aparece nos anos 1990 (fevereiro de 1991 - "The New Mutants" #98, pela Marvel Comics), os quadrinhos já estavam saturados de heróis poderosos e narrativas previsíveis.
O diferencial não estava apenas no humor, mas na consciência de que aquele personagem sabia que estava dentro de uma história.
Isso muda tudo.
Em sala, vejo muitos alunos querendo “criar algo diferente”,
mas sem entender a estrutura da narrativa. Deadpool funciona porque sua quebra
de lógica é intencional, não acidental.
Ele é caótico na superfície, mas extremamente organizado na
construção.
O erro comum dos alunos
O erro mais comum é confundir irreverência com falta de
estrutura. Sem domínio da linguagem, a tentativa de subversão vira ruído.
Deadpool ensina que a transgressão só comunica quando existe
base.
O que muda quando aprendem
Quando o aluno entende isso, passa a criar personagens com
intenção. Humor, exagero e metalinguagem deixam de ser truques e passam a ser
ferramentas narrativas.
Ligação discreta com o IADC
No IADC, ensinamos exatamente isso: primeira linguagem,
depois estilo. A liberdade criativa nasce do entendimento profundo da narrativa
visual.
Se você quer criar personagens marcantes, talvez o próximo
passo não seja desenhar mais — mas entender melhor como se conta uma história.
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