Essa imagem parece simples à primeira vista.
A cor como forma de falar
Durante muito tempo, acreditou-se que o camaleão mudava de
cor apenas para se camuflar. Estudos mais recentes mostram algo muito mais
interessante: a mudança de cor está ligada à comunicação, ao estado
emocional, à interação com o ambiente e com o outro.
Na arte, sempre senti algo parecido. Quando não conseguimos
dizer em palavras, dizemos em formas, traços, cores, ritmo. A arte fala onde a
linguagem convencional falha.
Van Gogh não pintava para agradar
Van Gogh não é apenas um gênio incompreendido — ele é um
símbolo de algo muito mais profundo: o artista que continuou mesmo sem
validação.
A Noite Estrelada não nasceu para ser um ícone pop.
Nasceu de um olhar inquieto, de uma mente intensa, de alguém que via o mundo de
forma diferente — e pagou um preço alto por isso.
Colocar o Lorenzo diante dessa obra não é homenagem
gratuita. É reconhecimento. É dizer, silenciosamente:
“Expressar-se não depende de aceitação imediata.”
2002: começar quando ninguém acredita
Ensinar arte, para mim, sempre foi ensinar a ver, a
pensar e a se expressar — não apenas a repetir fórmulas. E isso,
muitas vezes, incomoda.
O erro mais comum: confundir técnica com expressão
Não é.
Quando o aluno entende isso, algo muda. O traço amadurece. A
insegurança diminui. A comparação perde força. Ele começa a construir uma
linguagem própria — mesmo que ainda imperfeita.
E isso é libertador.
Ensinar arte é traduzir o invisível
Talvez o que eu mais tenha aprendido nesses anos todos é que
ensinar arte não é impor visão. É traduzir caminhos.
O papel do professor não é apagar isso, mas ajudar a
organizar, fortalecer e dar clareza a essa voz visual.
Assim como o Lorenzo não tenta ser Van Gogh, mas conversa
com ele através da pintura.
Por que essa imagem importa
Essa imagem importa porque ela diz, sem texto:
- que
a arte é comunicação
- que
a expressão vem antes da aprovação
- que
ensinar é acolher diferenças
- que
persistir também é um ato criativo
Um convite sincero
No meu trabalho — como artista, professor e fundador do IADC
— continuo fazendo o que sempre fiz: traduzindo sentimentos em linguagem
visual e ajudando outros a fazerem o mesmo.
Às vezes, mudar de cor é a única forma de ser entendido.

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