Sempre enxerguei o roteiro como uma etapa essencial do pensamento visual.
Mesmo quando não aparece explicitamente, ele está presente em toda obra bem construída.
Um bom roteiro não é excesso de palavras, mas clareza de intenção.
Roteirizar é decidir o que mostrar, quando mostrar e como conduzir o olhar e a atenção do público.
É organização antes da execução.
O roteiro como estrutura invisível
Muitas pessoas acreditam que roteiro serve apenas para
cinema ou literatura. Na prática, ele está presente em histórias em quadrinhos,
animação, jogos, publicidade e até em ilustrações narrativas.
O roteiro organiza o tempo, define o ritmo e estabelece
relações entre imagem, ação e silêncio. Quando ele funciona bem, quase não é
percebido — mas quando falha, tudo desmorona.
O erro mais comum: confundir ideia com narrativa
Ter uma boa ideia não significa ter uma boa história. Esse é
um dos pontos que mais aparecem entre alunos iniciantes.
Muitos chegam com universos ricos, personagens interessantes
e conceitos promissores, mas não conseguem estruturar um começo, um
desenvolvimento e um encerramento claros.
Linguagem visual e escrita objetiva
No roteiro voltado às artes visuais, escrever bem não
significa escrever muito. Significa escrever de forma clara, objetiva e visual.
Cada cena precisa existir por um motivo. Cada ação deve
avançar a narrativa. Aprender roteiro é aprender a editar o próprio pensamento.
Esse processo fortalece não apenas a escrita, mas toda a
produção visual do artista.
Roteiro como ferramenta de amadurecimento criativo
Ao estudar roteiro, o aluno passa a compreender melhor seus
próprios projetos. Aprende a analisar o que funciona, o que é excesso e o que
precisa ser desenvolvido.
Vejo alunos que, após estudar roteiro, passam a desenhar com
mais foco e propósito. O roteiro organiza a criação antes mesmo do primeiro
traço.
Onde esse pensamento se transforma em ensino
Essa visão fundamenta o Curso de Roteiro do Instituto de
Artes Darci Campioti. O curso foi estruturado para ensinar narrativa
aplicada às artes visuais, respeitando as especificidades de cada linguagem —
HQ, animação, cinema e projetos autorais.
O objetivo não é formar apenas escritores, mas criadores
capazes de estruturar histórias com clareza e impacto.
Um convite
Se você tem muitas ideias, mas sente dificuldade em
transformá-las em histórias consistentes, talvez o que falte não seja
criatividade, mas estrutura narrativa.

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