Todo semestre aparece alguém que desenha muito bem logo nos primeiros dias.
Traço solto, senso de forma, alguma segurança no gesto.
E quase sempre surge a mesma expectativa silenciosa: “esse aluno vai longe”.
Alguns vão.
Não por falta de talento — e isso é o mais duro de admitir.
O talento sempre existiu — a formação também
Desde que a arte existe como linguagem organizada, o talento
nunca foi visto como suficiente. Os grandes artistas da história passaram por
oficinas, ateliês, mestres, métodos e processos longos de aprendizado.
A ideia do artista genial que surge pronto é relativamente
recente — e bastante nociva. Ela cria a ilusão de que desenhar bem é um dom que
se resolve sozinho, quando na verdade sempre foi construção, repetição e
aprofundamento.
A arte sempre foi aprendida em camadas.
O que observo em sala de aula
Ao longo dos anos, vi muitos alunos talentosos travarem.
O padrão quase sempre se repete:
- Quem
depende apenas do talento, improvisa.
- Quem
constrói formação, progride.
O talento resolve o começo. A formação resolve o meio do
caminho — e o futuro.
O erro mais comum: pular a estrutura
O erro não é técnico.
O aluno quer desenhar melhor, mas não quer aprender a pensar visualmente.
Sem estrutura, o crescimento vira uma sequência de
tentativas desconexas. Funciona por um tempo. Depois estagna.
O que muda quando a formação acontece
Quando o aluno entende estrutura, algo muda profundamente.
Nesse momento, o talento deixa de ser um acaso e passa a ser
ferramenta.
Onde essa visão se materializa
Essa compreensão é o que fundamenta a forma como ensino e organizo o aprendizado no IADC. A formação não é pensada como um curso isolado, mas como um caminho progressivo, onde cada etapa sustenta a próxima.
Não se trata de prometer atalhos, mas de oferecer estrutura.
Um convite honesto
Se você sente que tem talento, mas percebe que algo trava no
caminho, talvez o que falte não seja esforço — seja direção.

Nenhum comentário:
Postar um comentário